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Luto: em busca do sentido além da perda

  • Foto do escritor: Renata Fiorese
    Renata Fiorese
  • 4 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 20 de fev.


homem, na cadeira, sala destruída, desolado

A perda de alguém querido pode ser igual a perda de um chão. Como se o chão faltasse ao nossos pés, a sensação é de que nossa base deixou de existir e imaginar a vida sem o que já conhecíamos pode ser desafiador e uma missão quase impossível.


A morte é um grande tabu de nossos tempos. Nos falta ritos com significado capaz de remendar corações.


A morte está entrelaçada com a vida, é sua contraparte e complemento. Vivemos inúmeros lutos durante o viver que vão além da perda física propriamente dita de alguém amado. Os términos de relacionamento amoroso, as passagens das fases da vida, são todos processos que envolvem o luto e que na sua maioria das vezes, não são reconhecidos como tal e muito menos elaborados, acumulando dores vida a fora.


A morte de alguém também se estende para a morte de uma parte do Eu. Deixa de existir uma parte em mim que era o papel interpretado na relação com a pessoa que não mais existe. A perda de uma mãe significa também a perda de um papel de filha, e isso leva a uma mudança profunda da personalidade, uma necessidade de reordenação sobre a compreensão de si que é um dos fatores difíceis de lidar no processo do luto.


Existem cinco fases do luto, segundo Elisabeth Kübler-Ross que são: a negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Todas essas são categorias criadas à título de tentativa de compressão desse processo complexo. Na verdade, na prática e na vivência, essas cinco fases acontecem muitas vezes simultaneamente e em outras em movimentos cíclicos que vão se repetindo no decorrer do tempo e na tentativa de elaboração.



mulher preocupada e ansiosa

A raiva é uma tentativa de luta contra o destino, uma incapacidade de aceitação da imprevisibilidade da vida que junto da barganha se apresenta como uma atitude quase neurótica compulsiva de repassar cada mínimo detalhe do fato trágico na tentativa de encontrar brechas possíveis de mudança da fatalidade.


"E se eu tivesse insistido com o médico para continuar com a internação. E se eu tivesse ficado com ela naquela noite ao invés de ter ido na minha aula [...]", em um looping repetitivo, a mente tenta encontrar maneiras de revogar o destino, como se o ato fosse capaz de rebobinar a fita e criar mais uma fração de tempo com o ente querido, dando espaço para redenção necessária.


Situações mal resolvidas agora parecem ser impossíveis de suportar, como se a partida fosse um espelho de nossas atitudes e dificuldades de relacionamento que com a falta do outro parecem ser tão triviais, superficiais, muda a perspectiva e aumenta a culpa consequentemente de não ter conseguido fazer melhor enquanto era tempo.



psicoterapia, homem na terapia

A psicoterapia é lugar de elaboração de toda a vida não vivida. Respeitando o ritmo, a necessidade de repetição dos fatos, até que chegue o tempo da aceitação e que depois abre espaço para outro ciclo de raiva e barganha, evidenciando uma dependência emocional que agora não pode mais ser adiada a resolução. A compreensão do papel de quem se foi e a importância de sua passagem na vida em algum momento fica mais claro e abre-se também a necessidade de agradecer, de reconhecer, de querer verbalizar para o outro como uma comprovação de que agora se voltou a enxergar.


Aqui tem início questionamentos profundos e importantes que trazem crenças fundamentais e estruturantes que não são todos que conseguem sustentar - a permissão de perguntar-se sobre o além vida: "O que acontece após a morte? Onde a pessoa que perdi está agora?". Essas questões podem abrir uma busca do sentido da vida e levar a procura da espiritualidade, considerado um dos caminhos de melhora e cura porque conforta e dá significado. É o amor por com quem se foi que tem a capacidade de levar Além.


Outro passo na etapa da aceitação é trazer a consciência para o agora, voltando o olhar e relembrando do valor de quem ficou. Aqui pode surgir a sensação de abandono de quem se foi e a culpa de estar vivendo pode emergir - "Como voltar a viver se quem eu amo não pode?", a depressão pode estar associado com essa questão, o recolhimento da vida na busca de honrar quem já não está aqui. Um processo muitas vezes inconsciente que exige paciência, reconhecimento e mudança no sentido de construção de uma visão de que continuar a viver também é uma forma de honrar as partes do outro que carrego comigo.


É preciso admitir a partida e a dificuldade com a nova realidade para então se permitir entrar em um processo terapêutico para lidar com todos os processos complexos associados com a elaboração desse luto. Estou disponível para te acompanhar nessa jornada, entre em contato para juntos construirmos um novo possível.



 
 
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