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Sobre a Depressão: Os Pantanais da Alma

  • Foto do escritor: Renata Fiorese
    Renata Fiorese
  • 4 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 16 de set. de 2025


mulher depressiva, mulher na parapeito da janela

Quando é impossível sustentar uma atitude centrada no externo, a alma recolhe, a libido se esconde e surge um convite para descoberta do mundo interior. A depressão é um dos transtornos mentais mais prevalentes em todos os países e comunidades, afetando pessoas de todas as idades e níveis de renda. "É a segunda maior causa de incapacidade a longo prazo, gerando perda de qualidade de vida", acentua a OMS.


Os principais sintomas associados à depressão é a falta de motivação e energia, que leva a um isolamento social e a uma dificuldade de dar conta de atividades básicas da rotina.



mulher ansiosa

Um fator em comum às pessoas afetadas por esse transtorno é a falta do Querer, do Desejo Pessoal ou um total desconhecimento sobre seu Querer, sendo um dos pontos mais trabalhados na psicoterapia, o resgate da Vontade. A falta do conhecimento do Querer muitas vezes aponta para uma crença de uma repetição de um modelo de Ser e de Viver que vem de fora, do externo, do coletivo, do nosso espírito da época e que sufoca a possibilidade da descoberta da Individuação - que é um dos processos centrais da clínica junguiana - a realização do Si-Mesmo.


Como se o sujeito até então tivesse vivido de acordo com o que os pais acreditavam que ele deveria ser, de acordo com que a família disse que ele poderia se tornar e mais tarde, com outros grupos sociais, com o que ele entende que a Instituição espera que ele seja. Se torna uma busca constante de encaixar nos moldes esperados, nas expectativas alheias e nas projeções das pessoas que ama.



depressão, pessoa afogando

Na clínica junguiana entendemos a depressão como um recurso da alma para que a consciência se transforme, para que a persona mude. Se até então a libido esteve voltado para o externo, para atender as demandas de sua época, em uma tentativa de retomada do equilíbrio, a psique recolhe essa libido para o mundo interior e é ai então que se inicia a vivência da 'Noite Escura da Alma', como se visitássemos os confins do nosso Hades, do nosso inferno pessoal. Nos defrontando com tudo o que não faz sentido, com tudo o que mutilamos para caber, para pertencer, para ser amado(a) - e acredite, tudo isso em uma tentativa de resgate da Verdade, como se a psique criasse esse movimento como uma oportunidade de transformar tudo o que foi evidenciado que não serve mais, com tudo o que é impossível de sustentar porque já não há mais energia.


Muitas pessoas chegam totalmente cegas, inconscientes, desse processo, acessando apenas os sintomas, como a falta do Querer, o choro eminente, a sensação de se sentir perdido(a). É no processo terapêutico que vamos conseguindo resgatar, iluminar, qual a mensagem que o transtorno carrega, sendo esse o trabalho simbólico, a compreensão do transtorno enquanto símbolo de algo que é necessário ser trabalhado, compreendido, integrado e transformado. Para isso, começamos a fazer uma retrospectiva para entender quando se iniciaram os sintomas, a qual situação externa estava associada, na tentativa de encontrar o fio de Ariadne para nos conduzir para fora desse labirinto.



mulher olhando o mar, contemplação

Esse caminho é como um renascimento. É a descoberta do Si-Mesmo, o nascimento da Alma propriamente dita, como o que de mais autêntico existe em si. É uma ruptura da noite escura como um útero escuro que simboliza o espírito da época, para o nascimento do Eu, com seu Querer, com sua Vontade, e se segue com o processo de fortalecimento para a possibilidade do viver o que se acredita, o que se deseja.


Em aspectos concretos e práticos, isso envolve a retomada do movimento, físico e social. É incentivada a prática de exercícios físicos e o reestabelecimento da rede de apoio, a nutrição de vínculos afetivos saudáveis. Além da inserção do uso de medicamentos psiquiátricos quando necessário, pois o tratamento é compreendido como um tratamento multiprofissional.


As dificuldades envolvem a necessidade do romper o medo de não agradar, sustentando a transformação da autoimagem, já que acontece um luto associado com a morte da persona, com a morte de quem se pensou que era, e tudo isso sinalizando uma nova fase que requer uma visão mais aprofundada da vida e de si-mesmo.


É uma travessia e eu me coloco a SerViço como acompanhante e testemunha do seu processo de cura e transformação. Vamos juntos? Para mais informações só clicar no botão abaixo.




 
 
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