Relacionamentos Amorosos: desejo mas temo
- Renata Fiorese
- 4 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Porquê está cada vez mais difícil se relacionar?

Recebo muitas pessoas no consultório que trazem sobre o desejo de estabelecer um relacionamento amoroso, saudável e duradouro, mas que não encontram essa pessoa, o que acaba gerando um sentimento de insegurança e baixa-estima. O que muitas vezes aparece enquanto complexo emocional oculto ou inconsciente, é um movimento contrário, de autossabotagem, que está relacionado com o medo de estabelecer uma relação real e se machucar, perder, não conseguir sustentar. Então parece ser melhor não ter do que conseguir e perder, como um mecanismo de defesa que age as escondidas do Ego.
Certa vez trabalhei sobre esse tema com um paciente, um homem de mais de 30 anos de idade, bem sucedido em seu trabalho, que morava com a mãe e a irmã, era obeso e veio para terapia com uma queixa inicial do luto pelo pai que acabara de perder.
Relacionamentos amorosos sempre pareceu ser um tema muito delicado. Ele

havia se relacionado sério apenas uma vez, com uma colega de curso durante a faculdade e o relacionamento foi tão traumático, pelas manipulações da garota - associada com sua dificuldade de estabelecer limites - e posteriores traições, que ele não conseguiu se abrir novamente. Quando questionado, trazia sobre o medo de repetir o mesmo que antes.
Mesmo quando confrontado no sentido de que ele já não era mais o mesmo e, portanto, não ser provável que ele repetiria a mesma história, ainda não parecia ser suficiente para convencê-lo a tentar. Investigando mais profundamente sobre a imagem que ele carregava sobre a possibilidade futura de desenvolvimento - ele casado, com filhos, ganhando mais, sendo reconhecido na sua carreira - veio o medo tremendo de se projetar nesse lugar e não conseguir sustentar essa vida, assim como o seu pai, e o receio de não ter estrutura emocional para suportar essa perda, como ele julgava ter sido o destino do seu progenitor.
Então, em uma atitude defensiva que apontava um Ego ainda muito fragilizado, era preferível se proteger da vida, se proteger da possibilidade de viver o que almejava, por medo. Em contrapartida, os impulsos compulsivos continuavam.
É curioso como parece existir uma crença nessa geração de que é possível nascer pronto. A cobrança da performance das redes sociais e a comparação associada com o movimento que as redes geram, parecem ter imputado em nossas personalidades uma noção distorcida do tempo e das relações. Ali, nas telas, recebemos imagens recortadas de vidas estanques, é um fragmento, paralisado, e por mais que tenhamos consciência disso, não é o suficiente para emocionalmente acreditarmos que é isso que significa viver.

Porquê relações são medicina? Porque nos revelam quem somos. Nosso lado mais luminoso e mais sombrio, tudo ao mesmo tempo, convivendo com a luz e a sombra também que existe no outro. É movimento, é chamado para transformação constante, para adaptação, para flexibilidade, para rendição.
Mas fomos treinados à acreditar que é possível, como em um movimento de dedos na tela do smartphone, simplesmente mudar a pessoa com quem relaciono, fica cristalizado como se a questão problema estivesse fora, no outro, então é apenas necessário mudar o parceiro(a), isso sustentado por uma ideia que sempre existirá alguém melhor, mais compatível, suficiente. Será?
Tenho cada vez mais compreendido de que amor não se tem, se constrói. As narrativas da disney e hollywood não se sustentam na vida real - aquela imagem de amor que suspende, tira o chão, tira o ar, muda o destino e a vida todinha. Como seria possível o cotidiano vivenciando essa instabilidade?

Amor é ato consciente de escolha de se melhorar a cada dia. Isso é amor por si mesmo, é auto estima e é amor por todos ao redor, que convivem conosco. Se relacionar é um ato de devoção à própria evolução. É preciso caminhar nessa direção, acreditar que é possível, tornar-se flexível o suficiente para ser capaz, não de moldar-se ao que o outro espera que você seja, como uma tentativa ensandecida por ser aceito(a), mas como um ato a favor da natureza, do Si-Mesmo, que sempre aponta para o desenvolvimento.
Relacionar é ampliar-se, é descobrir-se maior do que imaginou, é expandir seu Universo conhecido, é crescer a compreensão do que é família, que vai muito além dos que compartilham sangue.
Ser feliz com a própria companhia é necessário, mas incorporar o discurso de hiper empoderamento para esconder a dificuldade de se relacionar não é o caminho. Felicidade é uma emoção estimulada pelo coletivo. Somos seres sociais.
Na psicoterapia podemos trabalhar "a coragem de ser imperfeito" e se permitir tentar, mesmo não tendo noção racional de como fazê-lo, pelo simples ato a favor da vida que em sua grande parte trata-se mesmo do desconhecido. Se você tem essa dificuldade com as relações e deseja ter um olhar mais profundo sobre a questão e construir forças para mudar, estou a SerViço, me coloco a disposição para acompanha-lo(a) nessa jornada. Vamos juntos?
